Ata da reunião de agosto de 2007

09/09/2007 § Deixe um comentário

No período de 20 a 24 de agosto, ocorreu a Semana do Trânsito Vera Cruz 2007, uma iniciativa da OPS Vera Cruz em parceria com a Educação Infantil e o Ensino Fundamental da Escola Vera Cruz. Durante os meses de julho e agosto foram realizadas reuniões preparatórias com a direção da escola, com funcionários responsáveis pela entrada e saída dos alunos e com os representantes de classes do Nível II e III do Ensino Fundamental.

Várias ações ocorreram durante a Semana do Trânsito Vera Cruz 2007, entre elas:

  • Reunião aberta da OPS Vera Cruz sobre o trânsito em 20 de agosto com a presença de pais e professores e tendo especialistas no assunto como convidados especiais. O objetivo era ampliar a reflexão sobre o tema com o intuito de manter vivo o espírito de cidadania da comunidade Vera Cruz, para que os espaços públicos possam ser utilizados de maneira mais organizada e solidária.
  • Todos os alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental debateram questões relacionadas ao trânsito em sala de aula. Como resultado destas conversas, vários trabalhos foram produzidos e ficaram expostos nos pátios das unidades de 24 a 29 de agosto.

A próxima reunião mensal será realizada no dia 17 de setembro, das 20h às 22h, na sala 103 do Prédio do Verão. A pauta para este encontro será:

1.Avaliação da “Semana do Trânsito Vera Cruz”

2.Apresentação do livro “Nos Labirintos da Moral”- Mário Sérgio Cortella e Yves de La Taille e elaboração de perguntas sobre os temas abordados como preparação para a palestra de Mario Sergio Cortella.

Anote na agenda: 5/11 das 20h ás 22h – Sala de Reuniões /Verão

Um Diálogo sobre Ética: Acreditar? Resistir? Desesperar?, por Mário Sergio Cortella, filósofo, com Mestrado e Doutorado em Educação pela PUC-SP, onde é professor-titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião e da Pós-Graduação em Educação.

Contamos com sua presença nos próximos eventos!

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Semana do Trânsito – textos

05/09/2007 § Deixe um comentário

Os textos a seguir registram um resumo da reunião promovida pela OPS Vera Cruz em 20 agosto de 2007, evento que inaugurou as ações da Semana do Trânsito. O objetivo era ampliar a reflexão sobre o tema com o intuito de manter vivo o espírito de cidadania na comunidade Vera Cruz, para que os espaços públicos possam ser utilizados de maneira organizada e solidária.

“Causas e consequências dos acidentes de trânsito”
Eduardo Biavati, sociólogo, urbanista e co-autor do livro “Rota de Colisão”

“Trabalho com alunos da escola Vera Cruz”
Flávia Ricca Humberg
, professora de História do Brasil da Escola Vera Cruz

“O que acontece em São Paulo”
Heloisa Martins, socióloga, urbanista e co-autora do livro “Rota de Colisão”

“Como proteger as crianças no trânsito”
Thaís Gava,
psicóloga e coordenadora da ONG Criança Segura

“Trabalho com alunos da escola Vera Cruz”
Uirá Fernades
, professor de Estudos Sociais da Escola Vera Cruz

Como proteger as crianças no trânsito

05/09/2007 § Deixe um comentário

(Este texto é parte dos resumos da Semana do Trânsito Vera Cruz)

por Thais Gava

Represento a ONG Criança Segura, que começou a atuar no Brasil em 2001. A organização faz parte da rede internacional Safe Kids Wordwide. A organização surgiu nos EUA a partir de uma campanha de prevenção de acidentes liderada pelo cirurgião pediátrico Martin Eichlberger. A prevenção é muito menos onerosa e tem melhores resultados do que o tratamento das seqüelas dos acidentados.

No Brasil, anualmente cerca de 6 mil crianças morrem, 140 mil são hospitalizadas e 40 mil tem seqüelas permanentes devido a acidentes. Infelizmente a maioria das pessoas considera os acidentes – sejam no trânsito ou não – como algo que não dá para se evitar e que portanto não é responsabilidade de ninguém. A ONG Criança Segura acredita que temos responsabilidade sobre o trânsito e sobre os acidentes em geral e que temos a possibilidade de mudar nosso comportamento para diminuir riscos.
Acidentes acontecem devido a vários fatores interligados e muitas vezes ao suprimir apenas um deles o problema é evitado. É um direito da criança a ser protegida.

O trânsito é um reflexo da nossa sociedade. É comum associarmos o automóvel a virilidade, status social e a ser “uma pessoa descolada”. Não ter carro e utilizar transporte público virou sinônimo de não ser bem sucedido. Por isso o usuário de carro tende a não respeitar os que se locomovem de outras maneiras (a pé, de ônibus, metrô, trem, bicicleta e motocicleta). Os pedestres são as maiores vítimas dessa situação. Em áreas da periferia da Grande São Paulo não existem calçadas e as pessoas se arriscam para chegar ao destino desejado.

Quando cada um se preocupa apenas em resolver seus problemas individuais, não se desenvolvem soluções para o bem comum, ninguém discute políticas públicas para um melhor uso do espaço público. As pessoas investem na blindagem de seus carros em vez de unir esforços para exigir o cumprimento das leis de trânsito. O papel da escola é fundamental para refletir sobre essa situação e motivar mudanças.

Atualmente no Brasil os acidentes de trânsito são a principal causa de morte de crianças. Todo mundo é responsável por esse problema. Antes de infringir as regras de trânsito é preciso pensar nas conseqüências desse ato. A questão do trânsito é muita ampla e complexa e nós precisamos perceber a forma como nos colocamos neste mundo e de como cuidamos das nossas crianças, cuja vulnerabilidade acontece dentro do carro e fora (como pedestre). As crianças de até 10 anos deveriam andar nas ruas sempre acompanhadas por um adulto, pois ainda estão completamente amadurecidas para calcular a velocidade dos carros e outros riscos. Além disso, as ruas e os automóveis são projetados para o uso de adultos. Por exemplo, muitas crianças são atropeladas por carros que estão dando ré, pois elas não são vistas pelos motoristas.

As crianças não devem ser criadas em uma redoma, mas nós adultos temos o dever de propiciar um ambiente adequado para que eles possam desenvolver suas potencialidades e também de ensiná-las a se cuidar. Elas precisam entender as questões ligadas ao trânsito e saber como devem se comportar nas grandes cidades. Não adianta proibir sem dar explicações, pois elas precisam aprender a ter responsabilidade e autocuidado.

O uso do cinto de segurança é obrigatório tanto nos bancos da frente como de trás, para todos. Bebês só devem ser transportados no bebê-conforto, posicionado contra o movimento, até atingir 9 kg. Crianças de 9 kg a 17 kg precisam de cadeirinha, com cinto de três pontas. Crianças de 18 a 36 kg: elevação de assento, com cinto passando no ombro e na altura da bacia.

Devemos fazer com que as pessoas ampliem olhar e percebam que há necessidade de fazermos um uso consciente dos automóveis. A cidade não comporta ficar sem carros, pois não há meios de transporte coletivo adequados. Ainda não! Só que a sociedade precisa se organizar para reivindicar a melhoria do transporte coletivo.

O que acontece em São Paulo

05/09/2007 § Deixe um comentário

(Este texto é parte dos resumos da Semana do Trânsito Vera Cruz)

por Heloísa Martins

A organização de uma cidade como São Paulo acaba gerando situações de conflito que propiciam acidentes. Aqui se priorizou o transporte individual e o pedestre é sempre ameaçado pelos carros. E cada vez mais se busca aumentar o espaço disponível para os carros, o que vai agravando o problema.

Anualmente, na cidade de São Paulo morrem 1.500 pessoas em acidentes de trânsito todos os anos. E este número vem aumentando nos últimos três anos devido aos altos índices de acidentes com motociclistas e ciclistas. A motocicleta é um veículo inseguro, pois na maioria dos acidentes o indivíduo é projetado de cabeça no chão. O uso do capacete é insuficiente como proteção.

Estatisticamente, 50% dos mortos em acidentes de trânsito são pedestres. Destes, 25% são atingidos na calçada por carros desgovernados. Homens acima de 49 anos constituem o grupo de maior risco de atropelamento. As crianças também são vítimas freqüentes de acidentes de trânsito, seja por atropelamento ou pela falta de uso adequado dos equipamentos de segurança. No Brasil e na maior parte do mundo, a morte no trânsito é a segunda causa de morte entre os jovens. [OBS. – De acordo com dados do Ministério da Saúde, colisões e atropelamentos são a principal causa de morte no Brasil na faixa etária de 1 a 14 anos]

As vítimas mais comuns em colisões são jovens do sexo masculino, de 18 a 30 anos e em 40% dos casos trata-se do condutor do carro. A maior concentração de acidentes acontece nas noites de sexta e sábado. Dados do Instituto Médico Legal (IML) informam que em 50% das biópsias realizadas com as vítimas de acidentes de trânsito há presença de altas taxas de álcool no sangue.

São as nossas opções políticas que levam a essa situação de calamidade pública. Todos somos responsáveis pela situação caótica do trânsito em São Paulo. Eu e o Eduardo escrevemos o livro Rota de Colisão para sensibilizar os jovens sobre experiências de perda e traumas.

Causas e consequências dos acidentes de trânsito

05/09/2007 § Deixe um comentário

(Este texto é parte dos resumos da Semana do Trânsito Vera Cruz)

por Eduardo Biavati

Trabalhei durante 13 anos no Hospital Sara, em Brasília, e dei palestras para mais de 300 mil jovens (de 13 a 17 anos) das escolas públicas do DF. O tema central das palestras era a o que acontece com o corpo num acidente de trânsito. O jovem está acostumado a ouvir que acidente de trânsito leva sempre a morte. O que eles não sabem, bem como a maioria dos adultos, é que a maior parte das pessoas sobrevive. Em termos de saúde pública, podemos dizer que a questão dos sobreviventes é ainda mais grave do que a das vítimas fatais, pois os indivíduos perdem o controle sobre seus corpos e passam a depender de outros, muitas vezes definitivamente.

Devemos levar os jovens a desenvolver o senso de responsabilidade sobre si mesmos. Devemos conscientizá-los da fragilidade do corpo e de que as lesões cerebrais e medulares não têm retorno. É preciso fazer com que percebam e entendam as conseqüências dos acidentes de carro. Quem arca com os custos da reabilitação? Sobre quem recairá a responsabilidade de cuidar de alguém com seqüelas temporárias ou permanentes?

Nós sabemos os fatores que podem facilitar a ocorrência de acidentes de carro:
Uso de álcool e/ou drogas
Falta de uso do cinto de segurança
Alta velocidade

Será que os acidentes são mesmo acidentes?

Em Brasília, atualmente existe um respeito muito grande para com a segurança dos pedestres. Isso foi fruto de um esforço coletivo que envolveu governo, escolas, igrejas e a sociedade civil. Além do trabalho de conscientização e reeducação dos motoristas, foram colocadas faixas de pedestres iluminadas por toda a região metropolitana. O custo desse equipamento urbano corresponde a apenas alguns dias de reabilitação de uma pessoa acidentada.

Trabalho com alunos da escola Vera Cruz 2

05/09/2007 § Deixe um comentário

(Este texto é parte dos resumos da Semana do Trânsito Vera Cruz)

por Uirá Fernandes

Precisamos refletir sobre qual é o papel da escola e dos alunos frente à questão do trânsito. Atualmente o trânsito representa uma luta para nos locomovermos dentro da cidade e nossos alunos de 7ª série ainda não escolhem como vêm para a escola. Eles estão começando a se inserir na cidade e nos propusemos a realizar duas ações relacionadas ao tema do trânsito. A primeira foi uma pesquisa direta com os alunos. Alguns resultados:
Cerca de 90 % dos alunos chegam e vão embora de carro.
Transporte escolar, caminhada, táxi e bicicleta são os outros meios de transporte, em porcentagens pequenas.
Entre os que se transportam de carro, a maioria vem com uma pessoa da família, cerca de 30% com motorista particular e apenas 10% utilizam o transporte solidário (carona). Na volta para casa, aumenta muito o número de alunos transportados por motoristas particulares.

Conclusões:
A opção pelo carro é absolutamente predominante. É preocupante que as crianças apenas vejam a cidade passar pelo vidro do carro e estejam sendo preparados para reproduzir a cultura do carro. A Semana do Trânsito Vera Cruz tem gerado discussão sobre ações possíveis de serem feitas com os alunos. Temos a intenção de desenvolver um trabalho de campo (por meio de fotos, filmes e observação) para que possam perceber: Como é andar a pé? Como é andar de moto? Como é ser motorista de diferentes meios de transporte? Como é ser usuário de metrô, trem, bicicleta? Os alunos precisam construir a representação do que é SER no trânsito de uma grande cidade como São Paulo. Também temos a intenção de realizar um mapeamento da procedência de cada aluno, para aumentar a ocorrência de carona solidária entre as famílias.

Trabalho com alunos da escola Vera Cruz 1

05/09/2007 § Deixe um comentário

(Este texto é parte dos resumos da Semana do Trânsito Vera Cruz)

por Flavia Ricca Humberg

Na Escola Vera Cruz não trabalhamos a questão do trânsito de maneira isolada. A ênfase é na formação geral dos alunos, para que sejam indivíduos responsáveis e cidadãos. Na preparação da Semana de Trânsito Vera Cruz, utilizei o texto “Trânsito e Cidadania” da psicóloga Rosely Sayão para discutir com os alunos de 8ª série a questão da ocupação do espaço público como uma questão de cidadania.Os alunos percebem que respeitar as leis deveria ser uma obrigação de todos nós, mas isto não acontece. Eles dizem não achar caótico o trânsito nos arredores da Escola Vera Cruz.

Quando perguntei “O que vocês podem fazer para ajudar o trânsito local a fluir melhor”, eles responderam:
– Agilizar na hora da saída da escola, fazendo previamente os combinados;
– Atravessar na faixa de segurança;
– Respeitar as normas colocadas pelos funcionários da escola.

Todos colocaram que não querem ser fiscais dos seus pais, dizendo o que está errado ou certo nas atitudes do trânsito. O trabalho da Semana de Trânsito teve uma outra fonte de inspiração, que foi a “Semana de Cortesia às Leis do Trânsito”, que aconteceu recentemente em Paris. Inspirados neste evento, os alunos da 8ª série D elaboraram os 7 mandamentos do trânsito:
1. Agilizarás o embarque e desembarque
2. Respeitarás os irmãos e irmãs do bairro
3. Não farás pouco caso dos que andam a pé
4. Não deixarás que a fila dupla o tente
5. Obedecerás às leis de trânsito
6. Não buzinarás por ira, pois este é um pecado capital
7. Ouvirás e respeitarás os funcionários da escola, pois são eles que garantem a sua segurança.

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