Literatura e reunião

14/09/2011 § Deixe um comentário

Tem livro que mexe com a gente – e aí temos que recomendar. Por isso a Fernanda, mãe do Martim (2º ano) e da Eva (2,5 anos) resolveu escrever suas impressões sobre um clássico pouco conhecido em sua forma integral: Peter Pan & Wendy (sabiam que o nome da garota constava do título original?)

Vejam abaixo. E lembrem-se da reunião de amanhã:

Reunião mensal da OPS
15/09, quinta-feira, às 20h
Sala 103 do Verão

Peter Pan & Wendy

de James M. Barrie

Resenha por Fernanda Salles

Sempre me senti atraída pela história de Peter Pan, o menino que não queria crescer, a qual conheci no famoso desenho animado de Walt Disney. Recentemente, motivada por tristezas vividas por meu filho de sete anos, fui em busca do texto integral, intuindo que seria uma leitura importante para aquele momento. Bingo. A obra do inglês J.M. Barrie, publicada pela primeira vez em 1911, além de ser literatura de primeira qualidade, é cheia de metáforas sobre as dores do crescimento, sobre a maternidade e sobre as escolhas difíceis que temos de fazer na vida para poder crescer. Fiz uma busca na internet em busca de críticas sobre o livro e não encontrei nada que fizesse jus a profundidade de sua literatura. Por isso, quis escrever algo para dizer a todos: leiam este livro maravilhoso.

Peter tem as qualidades do arquétipo masculino: infantil, criativo, arrogante e absolutamente esquecido. Como todos sabem, a única coisa que ele quer é viver aventuras diárias, motivo pelo qual se recusa a crescer, ou seja – a  amadurecer. Wendy é o oposto disso. Doce, materna, tranquila – qualidades do feminino. Para que Peter possa viver a sua infância eterna é crucial que haja uma mãe (uma mulher) que o aguarde. Por outro lado, é essa criança que dá forças para Wendy crescer, pois é reconfortante saber que em algum lugar (ainda que na Terra do Nunca) continua vivo o espírito da liberdade.

Esse é, portanto, um viés subjetivo dessa história que se chama, originalmente, Peter Pan e Wendy , e não apenas Peter, como normalmente temos visto e que afinal de contas enfatiza apenas a voz masculina da trama.

Este texto, que é poético a ponto de arrancar lágrimas, me ajudou a entender a beleza da natureza infantil – humana e imperfeita. E muito mais rica e interessante do que nós, adultos, com frequência permitimos que seja. Ainda que educar os  filhos para a maturidade seja algo imprescindível, podemos pelo menos perdoá-los por resistirem a isso com tanto vigor. Este livro nos diz isso a cada página.

Em Psicanálise dos Contos de Fada, Bruno Betelhein nos diz que além de ser uma fonte de prazer, as histórias e as lendas são fundamentais para o desenvolvimento da psique infantil, possibilitando ao indivíduo vivenciar, no plano da fantasia, ideias e atos que lhes são vetados na vida real. Em tempos de infância confinada, quando as crianças têm confiscados o espaço das ruas e o prazer de andar em bandos, Peter Pan e Wendy mostra como as crianças são capazes de sonhar (e ousar) quando têm liberdade para isso.

Há várias edições do texto. Recomendamos a da Companhia das Letras (1999), com tradução de Hildegard Feist, e a da Salamandra (2006), com tradução de Ana Maria Machado.

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